
É razoável admitir que existem estratégias e políticas alternativas às nossas e que elas, como as ideias, terão o seu mérito se forem adequadas a situações concretas. Por isso desconfio de políticas receituário e sobretudo das terapias de choque.
Como desconfio dos que defendem que é preciso que alguns fiquem mais ricos para que todos beneficiem do processo económico. Não me canso de o dizer. É aí que me fico quando ouço discursos com loas ao crescimento e a omissão chata do desenvolvimento. Parece hipócrita.
Porque o resultado tem sido sempre o desprezo pela justiça social e a inversão dos valores. As pessoas passam a servir o dinheiro e não o contrário. Não há aqui nenhuma ideia nova.
Quem o defende acaba sempre por se mostrar insensível ao agravamento dos desequilíbrios e ao crescimento insustentável que consome recursos, comprometendo as oportunidades que desejamos dar aos nossos filhos e netos.
É possível vermos nos que pretendem governar o Estado a subtil intenção de o desmantelar, bastando para isso a prática de desregulamentação sucessiva até à demonstração que o próprio Estado é incapaz de dar resposta às necessidades que justificam a sua existência. Veja-se o exemplo dos Republicanos de Bush nos EUA.
Por isso a sua estratégia de tomar o Estado é a de apontar todas as falhas aos governos e nenhumas ao mercado. Porque, para elas, o objectivo é só o mercado e o Estado nem sequer é um meio mas antes um obstáculo. Precisamente porque o Estado é regulador. Será a desestatização da Sociedade?
Tanto o Ambiente, a Saúde, a Investigação ou a Segurança parece nunca terem encontrado eficiência no mercado. É argumento suficiente para se ter Estado e forte. Nem mais pequeno nem maior. Mais eficiente sobretudo.
É que mercado e concorrência perfeita parecem teorias com um excessivo peso de fé. Em teoria e funcionando sem “amarras” resultaria no melhor dos mundos. Um pouco como a terra prometida do comunismo.
A ideia até parece perfeita só que, até agora, incapaz de se concretizar.
Depois da asneira global dos agentes do mercado quem não precisa do Estado?
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