Sexta-feira

ad-Dhar-al-Baydae


Passaram mais de 30 anos desde que vim para norte e todas as minhas viagens por cá se têm feito. Ora 30 anos depois volto a descer ao sul mas não ainda o suficiente.


الدار البيضاء e o noroeste de África. Como se o Homem não tivesse ainda descoberto tudo.

Terça-feira

Idealismos

A SEDES, uma das mais antigas e reconhecidas associações para o desenvolvimento cívico do País, lançou na passada semana, através de um relatório muito divulgado pela comunicação social, um alerta para o ambiente de crispação que se vive no País e que chamou de eminente crise social.

As responsabilidades são dirigidas aos Partidos Políticos, que, de forma generalizada, parecem cada vez mais ineficazes na mobilização daqueles a quem a SEDES chama de talentos da sociedade para uma elite de serviço.

Esta crise com que os partidos se debatem (da esquerda à direita) esta dificuldade em atrair e reter os cidadãos mais qualificados, é apontada aos critérios de selecção das máquinas partidárias que, sugere-se, favorecem a promoção nas estruturas mais pela lógica da clientela do que pela da competência. Parte das vezes parece assim ser.

O assunto é recorrente e muitas vezes usado por políticos desiludidos com as exigências da vida política, cujas frustrações resultam da sua própria inabilidade em fazerem-se respeitar, pela ideia leviana de uma carreira rápida suportada em boa imagem, soundbites e pouco trabalho e por todos aqueles que pensam que a sua acção cívica e política se deve restringir exclusivamente ao universo dos partidos.

A SEDES coloca a solução destes problemas (que considera de bloqueamento da eficácia do regime) nas mãos da sociedade civil, com uma abertura do próprio regime a essa sociedade. O que só pode ser permitido pelos partidos políticos.

Ora este problema é um problema de consciência para os partidos políticos e para os democratas convictos. E é inevitável que estes se regenerem aproximando-se da sociedade civil, de onde partiram. O essencial mesmo é não resignar.

Esta regeneração deve ser dirigida para e com as novas gerações que agora questionam a indispensabilidade de organizações e programas políticos alheados dos seus problemas e das suas expectativas.

Assim não posso concordar com o lugar comum do afastamento dos jovens da política. Muitos podem nem compreender ou encontrar utilidade em juventudes partidárias mas reagem bem à responsabilidade de ter um papel cívico e de dar utilidade aos seus generosos idealismos. E pode ser aqui que os partidos falhem. Contudo como já disse a cidadania não se restringe ou cessa na acção partidária. Esse facto há-de provocar uma mudança que arrastará consigo a ideia actual de partido político.

De fora desta regeneração ficam os ensaios mais emblemáticos de mudança patrocinados por políticos conhecidos, em movimentos independentes dos partidos políticos, novos na forma mas velhos no conteúdo. Não será por aqui.

A uma geração dá lugar outra e assim sucessivamente. Pode até ser que maioritariamente a geração que actualmente ocupa o poder político não compreenda a inevitabilidade destas mudanças. Contudo a que se segue não só as compreende como as exige.

A seu tempo se há-de notar.

Nota: Repesquei um assunto que já tinha comentado e evitei problematizá-lo. Transformei o tema em crónica de rádio. Afinal o diagnóstico é conhecido há muito e recorrente.



Sexta-feira

"A Crise Social"

A SEDES, uma das mais antigas e reconhecidas associações para o desenvolvimento cívico, lança um alerta para o ambiente de "crise social" que se vive no País.
E aponta responsabilidades aos Partidos Políticos, cada vez mais ineficazes na mobilização de talentos da sociedade para uma elite de serviço. Os partidos debatem-se com a dificuldade em atrair e reter os cidadãos mais qualificados, onde, fruto de critérios de selecção do género clientelista, são favorecidos os interesses pessoais em detrimento da qualidade cívica. O que tenho de concordar genericamente.
A declaração alerta para o ambiente de relativismo moral, onde a lei se torna a única reguladora dos comportamentos sociais. Ora o que a lei não prevê nem a moral regra (a penumbra) fica entregue ao interesse particular, quase sempre contrário ao interesse público. Nesta penumbra desenvolve-se a corrupção, um cancro que corrói a sociedade e que a justiça não alcança.
A SEDES coloca a solução destes problemas (que considera de bloqueamento da eficácia do regime) nas mãos da sociedade civil, com uma abertura do próprio regime a essa sociedade. O que só pode ser permitido pelos partidos políticos.

A regeneração é necessária e tem de começar nos próprios partidos políticos, fulcro de um regime democrático representativo. Abrir-se à sociedade, promover princípios éticos de decência na vida política e na sociedade em geral, desenvolver processos de selecção que permitam atrair competências e afastar oportunismos, são parte essencial da necessária regeneração. ...
Esta "crise social" ameaça qualquer sociedade democrática e é actual hoje, como já o era em 2003, quando José Ernesto d'Oliveira me convidou a participar num debate da SEDES com João Salgueiro e onde se debateu cidadania.
Compreendi o apelo da participação e achei que, reconhecendo as virtudes e os defeitos dos partidos políticos, era dentro de um, com quem mais me identificava, que daria continuidade à minha acção política.
E após alguns dias decidi inscrever-me, o que fiz de forma solitária.
Se antes era crítico hoje sou auto-crítico. Contudo é ainda mais fácil denegrir do que contribuir para a regeneração, é mais fácil resignar do que contrariar. O que alguns políticos fazem com uma eficácia que nenhum anti-democrata atinge.
A qualidade da nossa democracia só demonstra o que somos enquanto indivíduos. Hão-de valer os que querendo e procurando ser melhores, com isso valorizam o conjunto. Mesmo que leve tempo a notar-se.

Quinta-feira

Um comunista porquê?

Não vi a versão soraia do "crime do Padre Amaro", bastou-me o trailer. Não estava a pensar em ver o "Call Girl" apesar de achar que o Nicolau Breyner está cada vez melhor como actor.
Mas confesso que fiquei curioso com o filme depois de ler a "defesa da honra" de Abílio Fernandes, ex-presidente da Câmara Municipal de Évora e figura importante do passado recente da cidade.
146 000 que já viram o filme.

Quarta-feira

Exercitei os músculos do abdómen

É notável o sarcasmo de António P. em Fim-de-semana Alucinante
Politicamente insurrecto.
Leia-se o texto "O ideal era a Hillary Clinton ser preta".

Terça-feira

Falar de Évora e do futuro


A Convenção Autárquica do PS de Évora reuniu durante o passado fim de semana dirigentes partidários, autarcas e independentes. E sem que se fizesse grande discurso laudatório, o projecto dos socialistas para Évora recebeu um sinal de coesão que parece não ter surpreendido ninguém, nem mesmo a oposição.

Apesar de quase todos os discursos terem indicado a necessidade de maior aproximação aos cidadãos que se envolveram neste projecto sem militância partidária certo é que uma franca maioria de participantes na sala não tem nenhuma ligação ao Partido Socialista.

O “povo socialista” como alguém referiu, reuniu-se a um sábado de manhã talvez para saber se pode continuar a contar com José Ernesto d’ Oliveira à frente da autarquia, num terceiro mandato.

Manuel Melgão, presidente da Comissão Política Concelhia do PS, declarou inequivocamente ser essa a vontade da Concelhia e fez saber que, para esse efeito, será novamente candidato à estrutura que preside.

Tanto a intervenção de Norberto Patinho, Presidente da Federação de Évora do PS, como as de Henrique Troncho e Carlos Zorrinho, ambos do secretariado do mesmo órgão, andaram em torno das mudanças operadas em 6 anos de gestão autárquica e pediram continuidade.

Naturalmente que o discurso mais esperado era o de José Ernesto.
Que falou de Évora e de um passado de isolamento e de inércia enterrado em 2001, com a vitória dos socialistas na Câmara e o consequente desmantelamento do poder do PCP, resultado de 30 anos de ocupação intolerante e absoluta do espaço político.

Falou ainda de concretizações em 6 anos, apesar dos mais de 70 milhões de euros de dívidas deixadas pelos comunistas, e das condições que foram criadas para o grande impulso que neste momento Évora toma.

Falou de qualidade de vida, de uma Évora premiada pelo reconhecimento nacional e internacional da sua excelência. Falou ainda de um novo paradigma de concelho, onde estão incluídas as freguesias rurais. Falou de crescimento e de futuro.

Foi um verdadeiro estímulo à combatividade política e ao compromisso com os eborenses.

A Convenção Autárquica do PS de Évora atingiu todos os objectivos que tinha traçado. Participação de muitos dirigentes do partido, autarcas e muitos independentes. Foi palco para novos compromissos e metas. Demonstrou coesão em torno do projecto autárquico para Évora. Comprovou a energia e a convicção dos que estão com José Ernesto. Cumpriu o princípio do pluralismo. E mostrou juventude.

Preparar o futuro, foi o mote da convenção. Veremos com quem colheremos os frutos.

Sábado

Ímpeto

O Natanael, o Rui Praxedes, o Nuno Lino, a Analisa, a Rita Martins e a Ana Isabel. Faltam o Jorge Alfaiate e a Susana Pedro.

A Convenção Autárquica do PS de Évora atingiu todos os objectivos que tinha traçado. Participação de muitos dirigentes do partido e autarcas. Participação ainda mais densa de não militantes. Novos compromissos e metas. Coesão em torno do projecto autárquico para Évora. Demonstração inequívoca do Presidente da Concelhia para um novo mandato à frente do Partido. Energia e convicção no discurso de José Ernesto. Pluralismo. E juventude.


O que motiva para os tempos que aí vêm.


Com uma ou outra excepção, de autocomiseração, as pessoas empenhadas neste projecto, sem exageradas declarações de contentamento, preferiram assumir que há muito a fazer e que não se pode perder tempo.


A iniciativa foi organizada pelo Nuno Lino, Rita Martins, a Analia, a Ana Isabel, o Jorge Alfaiate, o Rui Praxedes, a Susana e o Natanael. Um mês e meio de trabalho profissional. Um bom começo. Para todos.

Sexta-feira

Amanhã


Uma equipa com uma média de idades que ronda os 25 anos, meios criteriosamente geridos, muito trabalho e vontade.

Amanhã veremos o sucesso da Convenção acontecer.

O militante Eduardo Cabrita, Secretário de Estado da Administração Local, faz-nos uma visita.

Terça-feira

A Convenção

Numa democracia a função dos governos eleitos é a de governar e das oposições é a de se oporem e apresentarem-se como alternativa.

Ora um governo determinado e um programa que aplica de forma resoluta, suportado por uma maioria absoluta, são um problema para qualquer oposição.

Nestas circunstâncias é compreensível que qualquer crítica à governação pareça ser mais eficaz se vinda de alguma voz dissonante dentro do Partido Socialista do que as múltiplas declarações proferidas pelo maior partido da oposição. E quanto mais romântica ela for mais picante se torna o fait-divers.

Pode-se antipatizar com muitas das medidas que são tomadas, sobretudo as que nos afectam directamente, mas o facto é que não se vislumbram alternativas, pelo menos a que se possa dar crédito. O que temos são oposições de circunstância, às vezes dizendo mesmo que se está contra porque não se gosta do que se vê, sem que pareça haver capacidade de se dizer como deveria ser feito.

Não é sério chamar-se a esta governação de autoritária e pouco dialogante e sempre que se decide a favor de uma posição que não a inicial acusá-la de pressionável e sem rumo.
Não se pode querer ter posições de razoabilidade e credibilidade política e depois embarcar no mais primário populismo, como o que vimos na questão da reestruturação do Serviço Nacional de Saúde e nas deixas infelizes da liderança do PSD.

Não é difícil transpor esta realidade para a vida política eborense. Mudam apenas as cores da oposição e a circunstância de ser governar em maioria relativa.

Temos aqui uma oposição cujo o método é o de dizer defender a melhoria das condições de vida das pessoas votando contra e criando obstáculos para qualquer medida que aí pretenda chegar. A verdadeira oposição destrutiva, que usa a dificuldade dos mais desfavorecidos como arma de arremesso político. E a tendência é de agravamento, não fossemos estar a menos de dois anos das eleições.

Parece também difícil a esta oposição encontrar uma linha de credibilidade quando se vive um ciclo político marcado por grandes concretizações e por novas metas. Será este Alentejo em franca mudança que ditará o desaparecimento dos arcaísmos políticos. E é nestas circunstâncias que decorre esta semana em Convenção, um encontro de dirigentes, autarcas e simpatizantes do projecto que prometeu trazer a modernidade ao Concelho de Évora.

Ser autarca é, para o melhor e para o pior, estar perto das pessoas. É ser escrutinado todos os dias e ter como única compensação o reconhecimento de acordo com a sua competência. É um trabalho exposto às críticas, nem sempre justas e feito de sacrifícios pessoais. Por isso é um trabalho que só pode ser feito por gente convicta. E esta gente, quanto a mim, é o maior exemplo de dedicação ao serviço público, tendo em troca muito pouco.

Só por isso espero que deste encontro resulte um bom debate, onde se discutam ideias para a região e de onde saia reforçada a estratégia para a Évora do Século XXI, a futura capital do Alentejo.

Segunda-feira

O carácter miudinho

Fotografia do Expresso

António Chora é coordenador dos trabalhadores da Autoeuropa e acaba de ser vetado pela direcção da CGTP (onde tem forte influência os ortodoxos comunistas) para integrar a lista para o Conselho Nacional. Porquê? Porque tem sabido garantir os empregos aos seus representados em vez de armar a política da terra queimada.


Vale a pena ler o texto de Pedro Sales no Zero de Conduta.


(Correcção: referi inicialmente que Chora é da CGTP mas efectivamente não é. Mesmo querendo fazer parte do Conselho Nacional para o próximo Congresso da CGTP, teve veto dos comunistas, diz o Expresso).

Quando a oposição decide

A Associação Nacional de Municípios Portugueses aprovou um parecer negativo em relação à proposta de Lei Eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais (PL 431/X). Entre outras apontam distorções ao princípio democrático e ao princípio da proporcionalidade (por permitir ao partido mais votado constituir executivo maioritário); que cria instabilidade por dar poderes ao presidente na escolha do executivo junto dos seus eleitos na Assembleia Municipal (o que impede as coligações pós-eleitorais).
O PCP resolveu associar-se a esta iniciativa e apresentou, em reunião de Câmara uma proposta de apoio a esta decisão. O sr. vereador do PSD, apesar do seu partido ter aprovado na generalidade a proposta, assumiu-se como opositor do projecto lei e, coerentemente, votou favoravelmente a par do PCP.
O Presidente da Câmara e os dois vereadores do PS votaram contra a proposta do PCP.
A proposta foi aprovada pela Câmara com o voto maioritário da oposição. E isto fará sentido?

Fim-de-semana

O trabalho no gabinete, a organização da Convenção e a construção reduziram drasticamente o meu tempo livre.
Todo o que disponho passo-o com a família, entre jogos infantis e alguns trabalhos de casa. Bem tentámos assistir à Sinfonia dos Brinquedos mas o Francisco prefere andar de um lado para o outro, na rua.
A ameixoeira já tem rebentos e traz o estado de espírito primaveril. O meu favorito.

Terça-feira

A política e os políticos

Quando conheci Ferro Rodrigues, na altura Secretário Geral do Partido Socialista, fazia quase um ano que o escândalo Casa Pia ocupava os jornais e as atenções do País.

Alguém me apresentou como o dirigente estudantil a quem o Governo estava a dificultar a vida e ele, com problemas bem maiores, disse-me cordialmente: para lidar com os obstáculos haja determinação e firmeza.

Hoje poucos têm dúvidas que Ferro Rodrigues tenha sido alvo de uma campanha caluniante que o prejudicou profundamente. Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados não receou dizer que houve orientação política na investigação da Polícia Judiciária e que a intenção era a de decapitar a direcção do PS.

Mergulhar na actividade política e, por consequência, na exposição pública, é uma decisão que muda definitivamente a vida de quem o faz e das suas famílias. Essa decisão supõe uma reflexão madura, profunda, sincera e uma impiedosa auto-análise sobre até onde se está disposto a ir por uma causa ou uma ideia e o que se está disposto a aceitar como implicação daí decorrente.

Julgo que uma das razões mais relevantes que afastam muitas pessoas da vida política tem que ver com a sua indisponibilidade para aguentar agressões, acusações e calúnias ou boatos.

O recurso a estes estratagemas é usado, com frequência, nas disputas políticas e por isso é também habitual assistirmos a ataques pessoais entre candidatos opositores, uns mais descarados, outros encapotados. Na ordem dos primeiros lembro a campanha das últimas legislativas, uma das mais negativas que assistimos na nossa vida democrática, onde o actual primeiro-ministro foi vítima de alguns golpes de tom sexual ligeiramente demente.

Este modus operandi parece contribuir para a ideia negativa que a maioria das pessoas tem formada da política e dos políticos.
Para o bem e para o mal a vida dos políticos tem forte projecção nos media e, se bem que estes possuam um poder escrutinador que garante a qualidade da democracia, expondo crimes, corrupção e mentira, são também, por vezes, caixas de ressonância do escândalo e da infâmia gratuita.

O exemplo dado aqui é um dos maiores que conheço. Mas podia referir outros, que se desenrolaram à escala mundial como os que abalaram Joschka Fischer, ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-chanceler da Alemanha, envolvido injustamente nos crimes violentos da Fracção do Exército Vermelho de Baader e Meinhof, ou Daniel Cohn-Bendit, a cara do movimento de Maio de 68, acusado levianamente de pedofilia.

Portanto não deixa de ser corajosa a decisão daqueles que querem dedicar a sua vida à política, no sentido da arte nobre, feita por quem está disposto a correr riscos para defender uma causa ou uma ideia. Não consigo embarcar na facilidade com que se acusam os políticos. É que é muito mais sério, honesto e útil discutir políticas e não pessoas, se bem que mais difícil. Haja para isso determinação e firmeza.

Domingo

Discutir o futuro


Em menos de 15 dias teremos a Convenção Autárquica Évora 2008.

É tempo de novas metas.